E assim como uma borboleta
Que dum frasco quer escapar
O meu corpo já não aguenta
A dor tem que libertar
E a cada pensamento
Há uma lágrima que cai
E a cada sentimento
O meu corpo grita “Ai!”
E eu já não aguento
Sinto me já sem esperança
E no fundo só lamento
Já não ser nenhuma criança
Porque cresci e aprendi
Com as quedas que fui dando
Com os problemas que sofri
E com o que fui lidando
E fui crescendo assim
E agora sou mais forte
Mas a dor que vive em mim
É todos os dias a minha morte
Porque é que sou assim?
Ao espelho pergunto eu
Não consigo gostar de mim
Nem de nada do que é meu
E só vejo o reflexo
Da dor do meu fracasso
Só vejo o eu complexo
Quando ao espelho passo
Sinto uma dor que não percebo
Só percebo que a sinto
Só queria ter um aconchego
Mas esta dor é um labirinto
A dor cria uma barreira
Entre mim e os demais
Fico perdido, sem maneira
De me aproximar mais
E quem me procura encontra
Apenas uma parede de dor
Apenas uma simples montra
Com um sorriso enganador
Eu não mostro o interior
Porque ser feio já sou por fora
Eu só escondo o horror
Que vivo a toda à hora
E a luta é constante
O sofrimento também
Eu seguro a todo o instante
As lágrimas que guardo bem
Para quando chegar a casa
Poder enfim desabar
Por me debaixo da asa
Que o meu quarto vem dar
Estou seguro dentro de casa
Mas não seguro dentro de mim
Sou um perigo, mente em brasa
Pensamentos não têm fim
E quando a dor sobe a cabeça
E eu me sinto descontrolado
As lágrimas vêm depressa
O meu rosto fica molhado
E quando a dor acumulada
Forma uma bola de neve
Que me atinge do nada
E acredita, não vem leve
E eu só queria ser capaz
De não me sentir assim
Só queria ser um bom rapaz
A esta dor por um fim
Mas eu sei que sou inútil
Um caso já bem perdido
Qualquer esperança já é fútil
Porque o jogo já está vencido
Quem me venceu foi a vida
Foi a minha mente que me mata
Sou apenas alma perdida
Nesta estrada pacata
Aprendi a sofrer
Muitas vezes calado
Aprendi a morrer
Com um sorriso esboçado
Eu só queria saber
Como não ser assim
Só queria fazer
Alguém gostar de mim
E não falta trocado
Para falar desta dor
Nem coração magoado
De sentir tanto Amor
Apenas falta paciência
E interesse do leitor
Para perceber com decência
Esta minha dor
E assim é o fim
Das palavras sentidas
Que escrevi assim
Diretas das minhas feridas
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