terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O Desafeto que me afeta



As lágrimas caem
Mas não me sinto melhor
A cada lágrima saem
Pequenos infinitos de dor

Tempo frio e chuvoso
Não fora mas dentro
Do meu corpo horroso
Já mal me aguento

E a cada pensamento
Eu fico pior
Mais apagado, cinzento
Mais longe da cor

Eu queria ser alguém
Que soubesse ser feliz
Mas eu não sou ninguém
Sou o que ninguém quis

Sou um cais de partida
Estou mais pra cais partido
Vejo sair da minha vida
Quem eu queria comigo

Tremo, mas não é do frio
É sim, do vazio
Que cá dentro sinto
No meu coração extinto

Sinto me um erro
Não tenho conserto
Tenho um coração perro
Que ninguém quer por perto

Porque a minha ausência
Nem sequer é sentida
Nem a minha presença
Afeta alguma vida

Porque o que eu não sou
Os outros são
Porque eu não sou bom
E os outros são

Porque eu tenho defeitos
E os outros são perfeitos
E porque eu tenho jeitos
Em nada perfeitos

E eu tento ser bom
Mas em falhar tenho o dom
De estragar sempre tudo
E de ficar sempre mudo
As muralhas do meu forte
É aquilo que conseguem ver
Mas por dentro está a morte
Dos silêncios em que estou a morrer

Pode parecer que aguento
Mas isso não é verdade
Tudo o que faço, eu lamento
De viver perco a vontade

E é muita a tristeza
Que eu guardo aqui dentro
Não consigo ver beleza
No meu próprio sentimento

E por mais que seja hábito
Continua a doer
E em nada é bonito
Sofrer e sofrer

Cada minuto em que sofro
Em mim hora se torna
E sinto o leve sopro
Da dor que me adorna

Sem comentários:

Enviar um comentário