sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

As palavras por trás dos meus silêncios..



Há tanta dor nos meus olhos
Mas os demais a ignoram
Bem escondida entre os folhos
Dos meus silêncios que só choram

Não o digo mas bem o sinto
Ninguém parece se importar
Perguntam, “estás bem?”, eu minto
Para não começar a chorar

O sentimento transborda
Mas eu não o posso deixar
As lágrimas ficam na borda
Dos olhos, a pressionar

Por dentro um furação
Por fora dia de sol
Por dentro congelação
Por fora coração mole

Faça um gesto ou não
Acabo sempre por errar
A minha melhor intenção
Acaba sempre por me tramar

A minha volta faço um forte
E aos poucos desapareço
Eu tento mostrar me forte
Mas sou mais frágil do que pareço

Tudo o que eu queria era um abraço
Mas quem me abraça é a dor
A cada meu triste passo
Fica mais assustador

E eu não sei o que fazer
Pra ser ao menos suficiente
Talvez deva desaparecer
E fica tudo contente

E no meu riso está a dor
Do que fingi que não magoou
Mas por dentro o ardor
Daquilo que bem queimou

Eu não pertenço a um lugar
Nem consigo alguém marcar
Sou um erro ambulante
Sou a tristeza constante

Sou um copo vazio
Um espelho que não reflete
Sou uma pedra no rio
Sou alguém que não compete
Porque os outros são melhores
E eu não sou nada
Porque os outros são belas flores
E eu uma flor estragada

Sou tudo o que ninguém leva
Até ao fim
Mas dentro de mim neva
A dor por ser assim

E quando estou sozinho
E não estou acompanhado
Cai a máscara de forte
Sinto-me abandonado…

(Se continuasse a escrever
Não acabava isto assim
Pois a dor não quer morrer
Mas a vossa paciência, sim)

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