Há tanta dor nos meus olhos
Mas os demais a ignoram
Bem escondida entre os folhos
Dos meus silêncios que só choram
Não o digo mas bem o sinto
Ninguém parece se importar
Perguntam, “estás bem?”, eu minto
Para não começar a chorar
O sentimento transborda
Mas eu não o posso deixar
As lágrimas ficam na borda
Dos olhos, a pressionar
Por dentro um furação
Por fora dia de sol
Por dentro congelação
Por fora coração mole
Faça um gesto ou não
Acabo sempre por errar
A minha melhor intenção
Acaba sempre por me tramar
A minha volta faço um forte
E aos poucos desapareço
Eu tento mostrar me forte
Mas sou mais frágil do que pareço
Tudo o que eu queria era um abraço
Mas quem me abraça é a dor
A cada meu triste passo
Fica mais assustador
E eu não sei o que fazer
Pra ser ao menos suficiente
Talvez deva desaparecer
E fica tudo contente
E no meu riso está a dor
Do que fingi que não magoou
Mas por dentro o ardor
Daquilo que bem queimou
Eu não pertenço a um lugar
Nem consigo alguém marcar
Sou um erro ambulante
Sou a tristeza constante
Sou um copo vazio
Um espelho que não reflete
Sou uma pedra no rio
Sou alguém que não compete
Porque os outros são melhores
E eu não sou nada
Porque os outros são belas flores
E eu uma flor estragada
Sou tudo o que ninguém leva
Até ao fim
Mas dentro de mim neva
A dor por ser assim
E quando estou sozinho
E não estou acompanhado
Cai a máscara de forte
Sinto-me abandonado…
(Se continuasse a escrever
Não acabava isto assim
Pois a dor não quer morrer
Mas a vossa paciência, sim)
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