segunda-feira, 4 de maio de 2015

Confusão



Vida, dás mais do que aguento
A minha existência só lamento
Pois é só mais um tormento
Para teu divertimento

Vejo a dor a cem por cento
Coração, ai! Eu rebento
Tanto, Tanto sofrimento
Que nem o leva o vento

Leva-o pra longe daqui
Ai porque é que eu nasci?
Porque é que estou aqui?
Ainda não percebi

Passo a passo o fracasso
Do que ainda está pra vir
As cartas da vida eu passo
Olha o que me foi sair

A tristeza à minha espera
Em cada esquina da vida
A felicidade já era
Já está longe, bem perdida

E eu tento e não consigo
Ser aquilo que precisam
Tento, tento ser amigo
Minhas ações inutilizam

Qualquer esforço que eu faça
Para a vida nunca chega
Vem e vem, só traz trapaça
Vida, vida sua pega

E a cabeça está aqui
Mas a mente noutro lado
Coração perdi em ti
Não sobrou nenhum trocado

E a cabeça anda à volta
De pensar e só pensar
Dentro de mim Há a revolta
Só consigo é chorar

E em lágrimas me resumo
Palavras nem chegam perto
Sou inútil, eu assumo
Sou um turbilhão incerto

Turbilhão de pensamentos
Turbilhão de sensações
Turbilhão de sofrimentos
Turbilhão de emoções

Sou a confusão confusa
De tanto se confundir
Sou a mente reclusa
Não há modo de fugir

Quanto mais penso
Menos faz sentido
Este abismo imenso
Por onde ando perdido

O sofrimento é a minha droga
É aquilo que me descontrola
É aquilo que me afoga
É aquilo que me rebola

É a razão de ser assim
É a plasticina do meu ser
Difícil é gostar de mim
Pois sou difícil de entender

A minha mente passa me a ferro
Espalha em mim o sofrimento
A cada pensamento só me enterro
Só torno o mundo mais cinzento

Tanta pergunta sem resposta
Tanta resposta sem pergunta
Quando a dor a mim se encosta
Não sai mais, a mim se junta

Esperança já não a tenho
Porque a vida o ditou
Agora lágrimas retenho
E ninguém desconfiou

Será mais uma lição?
Que me impede de estar bem
Foda-se, olha o coração
Quero a festa, lição cem

Da duzentos, da trezentos
De todas as que já passaram
Por todos os maus momentos
Que já me atormentaram

Até já acho que mereço
Tudo o que eu passo em mim
Estou a pagar o preço
De ter nascido assim


E quando olho no espelho
Olho e vejo o que mais odeio
À cabeça vem um conselho
Por favor deixa de ser feio

A dor é uma constante
E eu gostava que não fosse
Gostava de ter um instante
Sem ter a corda ao pescoço

A apertar e a contorcer
A matar e entristecer
A essência do meu ser
Juro, ás vezes só querer morrer

Pelos corredores da minha alma
Onde os pensamentos vagueiam
Quando choro encontro a calma
Enquanto os sentimentos esperneiam


Enquanto a dor corre em mim
E as lágrimas no rosto
Parecem não ter fim
Nem tem fim o meu desgosto

Até no vazio sinto a dor
Onde antes felicidade havia
Quem me fodeu foi o amor
Olha, quem diria?

Há alturas em que esvazio
Há alturas em que transbordo
Há alturas em que sou rio
Há alturas “fora de bordo”

Às vezes sinto me sozinho
Mas na verdade não estou
Penso enquanto caminho
Naquilo que me magoou

O sentimento não acaba
Mas acaba comigo
A minha mente não trava
Vai de encontro ao perigo

E eu só procuro por mim
Mas só encontro é memórias
Lágrimas caem assim
Pensando nessas histórias

Por hoje a história acabou
E nem teve muito nexo
Mas aquilo que eu sou
É muito mais que complexo

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